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O Pão
Desde: 13/05/2002      Publicadas: 148      Atualização: 07/07/2004

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 LEGISLAÇÃO

  22/05/2004
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Malas de propina - Servidores do Ministério da Saúde estariam vazando informações para grupo de laboratórios e empresas de consultoria.

Rio, 22 de maio de 2004 - Jailton de Carvalho - BRASÍLIA - Depois de fazer um rastreamento na movimentação financeira da Máfia do Sangue, a Polícia Federal recolheu informações que poderão complicar ainda mais a situação do ex-coordenador-geral de Logística do Ministério da Saúde Luiz Cláudio Gomes da Silva, que até ser preso quarta-feira era um dos homens de confiança do ministro Humberto Costa. Em fevereiro deste ano, a PF apreendeu R$ 350 mil em poder de Jesse James Ramalho, representante de um grupo de laboratórios e empresas de consultoria. O dinheiro era destinado ao pagamento de servidores que estariam favorecendo o cartel que vende medicamentos ao ministério. Deste total, R$ 200 mil estariam reservados para Luiz Claudio, segundo o relatório do serviço de inteligência da PF.

No relatório, a polícia informa ainda que em janeiro um grupo de laboratórios e empresas de consultoria pagou R$ 700 mil em propinas a integrantes da Máfia do Sangue no governo. Os policiais da Operação Vampiro chegaram a esta conclusão sobre o envolvimento do ex-coordenador-geral de Logística no recebimento de propina a partir de informações obtidas em escutas telefônicas de integrantes da Máfia do Sangue. Num desses diálogos, gravados com autorização judicial, um dos interlocutores diz que precisava do dinheiro para pagar a alguém que chama apenas de Careca.

Luiz Cláudio é citado em gravação

Mais adiante, o intermediário cita especificamente o nome de Luiz Cláudio. Parte destes dados teriam sido confirmados por depoimentos de outros integrantes da máfia. James Jesse Ramalho foi preso no dia 6 de janeiro no Aeroporto Tom Jobim quando tentava embarcar para Brasília com os R$ 350 mil numa mala. Pelas investigações da PF, o grupo de laboratórios acusados de pertencer à Máfia do Sangue liberou o pagamento em dólar.

O dinheiro foi trocado na casa de câmbio Dunes Non Stop, no Rio, e em seguida seria levado para cobrir despesas com servidores do ministério, que estariam vazando informações para o cartel de laboratórios. Esta não foi, no entanto, a primeira vez que o grupo de laboratórios fez remessas aos integrantes do esquema infiltrados no serviço público. Semanas antes, a PF até filmara o transporte de R$ 700 mil do Rio para Brasília.

O dinheiro teria sido liberado pelos laboratórios, passou pela Dunes Non Stop e foi distribuído aos acusados de envolvimento com a máfia, entre eles servidores da Coordenação Geral de Logística, órgão encarregado das compras do Ministério da Saúde. A PF registrou tudo, mas permitiu a consumação do suborno para identificar os integrantes do esquema e reforçar as provas obtidas nas escutas.

Delegado elogia trabalho da PF

Para um dos delegados que está acompanhando a operação, a PF fez um serviço completo. Ao longo das investigações, iniciadas em setembro do ano passado, a Operação Vampiro fez monitoramento telefônico, escuta ambiental e até gravou fitas de vídeo com a Máfia do Sangue em ação. Com base nesses indícios, a PF pediu e obteve na 12 Vara da Justiça Federal a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 17 acusados de pertencer ao núcleo central do suposto grupo de fraudadores das compras do ministério.

A Justiça decretou a prisão dos 17 acusados. Destes, 14 foram presos, entre eles Luiz Cláudio, e três estão foragidos. A Operação Vampiro começou com uma investigação sobre irregularidades na compra de fatores coagulantes essenciais no tratamento de hemofílicos. Mas a apuração foi ampliada para supostas fraudes também em compras emergenciais para aquisição de medicamentos, materiais cirúrgicos e de consumo. A PF descobriu também que a organização fraudou compras em secretarias de Saúde de estados e municípios.

A PF intensificará as investigações sobre a Dunes Non Stop. Pelas informações levantadas até agora, o grupo de laboratórios e de consultorias supostamente vinculados à máfia do sangue fizeram grandes transações com dólar nesta casa de câmbio. É a partir daí que os policiais pretendem descobrir se os beneficiários do esquema fizeram remessas ilegais ao exterior, embora tudo indique que o grupo estivesse operando apenas dentro do país.

O relatório reservado da PF tem 331 páginas, mas as investigações estão longe do fim. Até agora, a policia pediu e obteve o pedido de prisão de 17 acusados. Um delegado disse, no entanto, que a apuração poderá atingir mais 25 pessoas.

— Investigação policial é assim. Começa com um determinado número de pessoas, mas com os desdobramentos da apuração, outras pessoas vão aparecendo e poderão ser denunciadas também — disse um delegado.



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