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O Pão
Desde: 13/05/2002      Publicadas: 148      Atualização: 07/07/2004

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 PREVENÇÃO

  18/05/2004
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OMS: desigualdade pode aumentar mortalidade.

A assembléia da Organização Mundial da Saúde (OMS) foi aberta ontem, em Genebra, com a advertência de que a mortalidade mundial pode aumentar de maneira explosiva se não se resolverem as disparidades econômicas e sociais, que afetam principalmente os países em desenvolvimento.

No discurso de abertura da reunião anual, o diretor-geral da OMS, Jong Wook Lee, lembrou que 1,2 bilhão de pessoas não têm acesso a água potável, 40 milhões vivem com Aids, 1,3 bilhão se expõem à morte prematura devido ao fumo e 500 mil mulheres morrem por ano durante a gravidez ou o parto.

O presidente da assembléia neste ano, Muhammad Nasir Khan, ministro da Saúde do Paquistão, disse que doenças como a tuberculose, a malária, a Aids e a desnutrição materna e infantil confinam os países em desenvolvimento ao “círculo da pobreza”.

Parte da solução para o problema consistiria em reverter a tendência atual na pesquisa médica, que dedica menos de 10% dos recursos a doenças que representam 90% dos problemas de saúde no mundo. Lee anunciou que, para examinar e buscar uma solução para esse desequilíbrio, a OMS e o governo do México estão organizando uma cúpula de ministros de saúde em novembro.

Combate à obesidade e saúde reprodutiva

Na assembléia da OMS, com participação de 192 países-membros e numerosas organizações não-governamentais como observadoras, os dois temas de fundo serão a estratégia mundial contra a obesidade e um plano para melhora da saúde reprodutiva e sexual.

Em ambos os casos, trata-se de temas polêmicos. O primeiro por contrariar interesses da indústria alimentícia e do setor açucareiro e o segundo porque alguns dos aspectos em discussão – como o planejamento familiar e o aborto – ferem preceitos culturais e religiosos.

A estratégia contra a obesidade tem como objetivo reduzir a incidência de uma série de doenças não-transmissíveis, como o diabetes e as doenças cardiovasculares, que provocam 60% das mortes no mundo. No entanto, países para os quais o açúcar representa uma importante fonte de receita – como Cuba e República Dominicana – opõem-se à proposta, argumentando que a obesidade é um problema fundamentalmente de países ricos.

Por sua vez, a estratégia sobre saúde reprodutiva foi elaborada para compensar a falta de avanços nesse campo nos últimos anos, durante os quais a alta taxa de mortalidade materna nos países em desenvolvimento se manteve praticamente igual. A idéia principal é de que as mulheres pobres tenham acesso a métodos anticoncepcionais e recebam a informação e os meios necessários para evitar as doenças sexualmente transmissíveis, particularmente a Aids.

Outros assuntos em debate pelas delegações que participam da assembléia serão a influência dos problemas ambientais na saúde causados pela poluição da água; o aumento dos resíduos sólidos; o fenômeno da urbanização caótica; e as mudanças do clima.

Além disso, serão definidos passos importantes para a erradicação da poliomielite e do verme da Guiné, parasita causador de uma das doenças mais devastadoras do mundo, que também pode levar à paralisia. O convidado de honra do encontro este ano será o ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, diretor de uma fundação dedicada justamente a erradicar a última doença que causa graves estragos na Africa Subsaariana.

Durante a abertura da assembléia, um grupo de taiwaneses fez um protesto, usando máscaras no rosto, em referência aos problemas causados pela Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars) e a gripe das aves na Ásia.

Brasil participa de bloco de combate à Aids


Os governos do Brasil, Índia, China, Tailândia, África do Sul, Rússia, Nigéria e Uganda formaram um grupo para atuar juntos no combate à Aids e contrabalançar as posições dos países ricos nos debates internacionais sobre as estratégias contra a doença.

Ontem, em Genebra, ministros da Saúde dos oito países emergentes se reuniram e acertaram que o bloco assinará uma declaração conjunta em Bangcoc, em julho, para tentar fazer prevalecer sua posição no cenário internacional. “Teremos a capacidade de ser ouvidos na elaboração de uma polícia mundial de combate à Aids”, afirma Humberto Costa, ministro da Saúde.

O documento deve incluir, entre vários pontos, a idéia de se lançar uma estratégia para criar uma nova geração de pessoas livres da Aids. O bloco pressionará os demais governos a garantir o acesso a remédios e preservativos para todos. O grupo trocará informações sobre estratégias de tratamento da Aids, debaterá cooperação técnica e atuará de forma coordenada em uma eventual quebra de patentes de um medicamento produzido por uma empresa multinacional.

Na avaliação de Costa, o bloco reduziria as pressões das empresas e dos governos ricos em caso de países em desenvolvimento terem de quebrar patentes. “Formado por países com um grande número de consumidores, o bloco poderia reduzir a capacidade de pressão dos países ricos’’, afirmou Costa, lembrando que estão no grupo China e Índia, dois importantes fabricantes de genéricos do mundo.

Para Paulo Teixeira, diretor do Departamento de Aids da OMS, a idéia é positiva e pode ter um impacto real nos debates internacionais sobre como lutar contra a Aids. Mas Teixeira, que foi o implementador do Programa de Aids no Brasil nos anos 90, lembra que a aproximação do Brasil a outros países emergentes foi iniciado durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Amanhã, alguns integrantes do bloco – Brasil, Índia e África do Sul – começarão a testar a aliança e apresentarão uma proposta de estratégia de combate à Aids durante a assembléia anual da OMS. No documento, os países apontarão a necessidade de que remédios sejam distribuídos a todos. Já para o encontro em Bangcoc, o bloco estará aberto a novas adesões.

Nos EUA, também ontem, três grandes grupos farmacêuticos, Bristol-Myers Squibb, Merck e Gilead Sciences anunciaram que estão negociando o desenvolvimento de um medicamento contra a Aids para ser ingerido apenas uma vez por dia. “Esta parceria, um esforço de vários grupos para criar um produto de uma só dose a partir de três medicamentos patenteados de combate à Aids, será a primeira desse tipo no campo do vírus HIV”, disseram as empresas, em comunicado.

Segundo o diretor-geral da Gilead Sciences, John Marin, faltam esforços para facilitar a obtenção de medicamentos de combate à doença onde estes são mais necessários, principalmente nos países pobres. Ele lembrou que seu grupo lançou um programa neste sentido para garantir a distribuição de retrovirais nos países em desenvolvimento. A Bristol-Myers, por sua vez, reforçou seu compromisso em fazer o mesmo.

O novo medicamento reuniria em apenas uma pílula dois produtos da Gilead, o Viread e o Emtriva, assim como o Efavirenz, comercializado nos Estados Unidos, Canadá e alguns países europeus pela Bristol-Myers Squibb e no restante do mundo pela Merck com o nome Stocrin.






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