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O Pão
Desde: 13/05/2002      Publicadas: 148      Atualização: 07/07/2004

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 TRANSPLANTE

  03/05/2004
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Preconceito. Uma sombra sobre o transplantado.

Domingo, 2 de maio de 2004 - LÍGIA FORMENTI - Muitos não conseguem retomar a vida profissional depois da cirurgia por ser considerados menos saudáveis.

BRASÍLIA - Depois da fila de espera por um doador, a cirurgia e o período de recuperação, pessoas que se submeteram a um transplante de órgão passam a enfrentar outro problema: o preconceito. Obrigados a se afastar do emprego no período da doença, transplantados muitas vezes não conseguem retomar a vida profissional, mesmo depois de totalmente restabelecidos.

"Todas as vezes em que passo por um exame médico, é a mesma coisa. É só levantar a camisa, perguntam o que é a cicatriz e pronto, sou recusado", afirma o operador de máquina desempregado Anderson José dos Anjos, de 26 anos.

Recuperado do transplante de rim que fez há um ano e oito meses, Anderson já perdeu a conta de quantas entrevistas para emprego já fez. "Amigos que fizeram a cirurgia têm o mesmo problema. Recuperamos a saúde, mas não a cidadania." Para sustentar a mulher e a filha de 5 anos, Anjo dedica-se a serviços esporádicos, informais.

A assistente social da Associação de Pacientes Transplantados da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Carmem Rosa Bujol, acompanha de perto a dificuldade dessas pessoas para encontrar uma ocupação. "Se emprego hoje está difícil para todos, imagine para esses pacientes que, por puro preconceito, são consideradas mais frágeis", diz. E quanto menor a escolaridade do paciente, afirma, maiores são as resistências de empregadores.

Ainda no período de recuperação do transplante de fígado, que fez há sete meses, o vendedor de carros Alberto Maldonado não sabe ao certo se vai procurar retomar a antiga atividade. "Talvez abra um negócio próprio. Não quero sentir na pele a discriminação que tantos colegas dizem sofrer", desabafa. "Convivemos com dois medos: a rejeição do órgão e a rejeição da sociedade."

Duas armas - O presidente da Sociedade Latino-Americana de Transplantes, José Medina Pestana, ouve relatos como esses há tempos. E está convicto de que o preconceito só pode ser combatido com duas armas: campanhas e ações afirmativas que incentivem empregadores a admitir pessoas que se submeteram a esse tipo de cirurgia. "Há a falsa impressão de que o transplantado tem de ir mensalmente ao médico, que ele a todo momento fica doente", avalia.

Razões para isso não faltam, diz. "O governo gasta uma quantia significativa com a recuperação desses pacientes. Mas, se transplantados não recuperam a auto-estima, se não voltam a se ocupar, há um risco maior de eles deixarem de se cuidar."

O coordenador do Sistema Nacional de Transplante, Roberto Schlindwein, cita outro recurso para reduzir o estigma: um sistema de informação confiável sobre a qualidade de vida dos pacientes que passaram pela cirurgia.

Num encontro que discute alterações na política de transplantes, realizado em Brasília, essa sugestão teve uma aceitação unânime. "Precisamos ter dados sobre a sobrevida dos pacientes, sobre a qualidade de vida que apresentam depois da cirurgia", defende. "São informações que ajudam não só a corrigir idéias distorcidas sobre os transplantados como também a acompanhar a qualidade dos serviços de transplantes existentes no País", completa.

Disposição de sobra - A empresária paulista Ana Maria Ribeiro não precisou aguardar estatísticas ou ações afirmativas para empregar quem já fez transplante de órgãos. "Já passei por essa cirurgia e sei bem: depois da recuperação, temos condições de enfrentar o trabalho como qualquer outro." Ela, por exemplo, concilia uma jornada de até 12 horas no emprego com a administração da casa e o cuidado com seus filhos. Além de empregados na empresa, Ana Maria teve em casa um funcionário que se submeteu a transplante. "Era um caseiro, que fez a cirurgia enquanto trabalhava comigo. E só não está mais comigo por opção."

A professora de farmácia aposentada Andréia Teixeira Soares, de 41 anos, que trabalha em uma clínica de acupuntura, conta que clientes muitas vezes se espantam quando conta que se submeteu a um transplante, há um ano e oito meses. "Tenho uma vida mais saudável do que muita gente por aí: cuido da alimentação, não fumo, não bebo. E agora me preparo para retomar a atividade física", conta.

Andréia relata que, no período em que aguardava o transplante, todos seus planos foram suspensos. "Não podia assumir compromissos, tinha de estar disponível para a cirurgia, que poderia ocorrer a qualquer hora", diz. "Mas agora, recuperada, parece que todos os planos vieram em dobro. Claro que uma pessoa assim, que dá valor a vida, tem disposição de sobra para se dedicar com prazer a uma atividade profissional."



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