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O Pão
Desde: 13/05/2002      Publicadas: 148      Atualização: 07/07/2004

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 TRATAMENTO

  18/05/2004
  10 comentário(s)


A Hepatite C não tem cura. A Hepatite C tem controle e tratamento. HOJE.

"Não somos propagandistas de laboratório. Nem os médicos, nem as ONGs" - Autor: Médico que teria afirmado à produção do programa DOMINGO ESPETACULAR, da TV Record, que a hepatite C não tem cura, e que foi contestado pelo Grupo Otimismo, apresenta seus fundamentos de sustentação da informação científica ao próprio Grupo Otimismo, que promoveu a divulgação pela internet.

A grande maioria dos microorganismos que conseguem cronificar-se no organismo humano, em especial os vírus (os quais constituem estruturas necessariamente intracelulares e se utilizam do material genético da célula para poderem se reproduzir), tentam se defender da pressão imunológica ou de drogas que conseguem interferir no seu mecanismo de reprodução.

Eles conseguem alterar seus componentes antigênicos gerando mutantes, variantes e quasiespécies. E se refugiam, o quanto podem, em células (macrófagos, linfócitos, tecido linfóide, células da glia, etc.) onde conseguem entrar em equilíbrio instável com o sistema imunológico.

E aí permanecem em LATÊNCIA MICROBIOLÓGICA. Passam a se reproduzir de forma tão lenta que não conseguem atingir a corrente sanguínea ou células de outros componentes teciduais orgânicos. Por vezes, conseguem se integrar mesmo ao patrimônio genético humano ao se fundir com o material nucléico celular.

É sabido que um percentual significativo do patrimônio genético humano é constituído por porções genéticas de microorganismos que ao longo de milênios de convivência com o ser humano acabam por serem aceitos como "self". Isto foi demonstrado recentemente no chamado Projeto Genoma.

A latência microbiológica não significa LATÊNCIA CLÍNICA. Daí não conseguirem exteriorizar clinicamente através de sinais clínicos sintomas ou por testes laboratoriais hoje disponíveis. Por tratar-se de um equilíbrio instável, muitos desses microorganismos conseguem se reativar e voltar a produzir infecção ativa NA DEPENDÊNCIA DO SEU SISTEMA IMUNOLÓGICO.

Porções de vírus latentes em algum sítio do organismo podem mais raramente produzir graves lesões mesmo sem se replicar em decorrência de uma complexa interação com o sistema imunológico, tais como algumas das doenças degenerativas do sistema nervoso central.

No caso da hepatite C fica evidente esse equilíbrio instável de latência microbiológica nas situações em que o organismo passa a sofrer imunodepressão no seu compartimento celular de defesa. Tal evento se desenvolve por iatrogenia medicamentosa, tal como ocorre com os transplantados que recebem cargas pesadas de drogas imunossupressoras, produzindo uma reativação da infecção.

Outras vezes, o fenômeno é produzido em razão de um desequilíbrio da resposta imunológica (inversão de resposta Th-1 => Th-2) por fatores adjuvantes ou desencadeantes vários.

Esta situação fica melhor compreendida quando didaticamente introduzimos o conceito de INFECÇÃO x DOENÇA. Na primeira situação o indivíduo mantém o microorganismo latente sem manifestação clínica. E "doença" quando a infecção se expande, produz patogenicidade e se exterioriza clínica E/OU laboratorialmente.

É clássico o conceito conhecido por todos de "Tuberculose-Infecção" e "Tuberculose-Doença"; "Toxoplasmose-Infecção" x "Toxoplasmose-Doença"; Paracoccidiodomicose-Infecção"; "Paracoccidiodomicose-Doença"; "Citomegalovirose-Infecção x Citomegalovirose-Doença"; apenas para citar um exemplo de cada microorganismo (respectivamente bactérias, protozoários, fungos, vírus).

Para melhor clarear o entendimento, cito o exemplo clássico do indivíduo que apresenta um PPD reator (teste cutâneo tuberculíneo positivo). Ele não tem sintomas, porém mantém o bacilo da tuberculose latente em alguma célula do organismo. Se entrar em imunodepressão o equilíbrio se desfaz e o indivíduo passa a ter uma reativação da infecção.

Acredita-se que o fenômeno ocorra com grande número das infecções crônicas.

Na hepatite C mesmo a "cura" na fase aguda é uma suposição ainda. Forte suposição, aliás. Na fase crônica, a "cura" infelizmente ainda não pode ser demonstrada. As reativações que ocorrem em transplantados falam fortemente contra. As reativações por processos imunodepressivos adquiridos, tal como na infecção pelo HIV, falam contra.



Neste caso houve mais avanços a explicar outro fator intrínseco envolvido na co-infecção HIV-HCV. Assim é que as porções genômicas do HIV conhecidas por "long terminal repeat" que são capazes de reativar o vírus da hepatite C. Assim o diagnóstico de cura é sempre discutível, geralmente "somente provável".



Cura microbiológica deve significar ERRADICAÇÃO do microorganismo. Na hepatite C é apenas uma probabilidade. Por analogia com outras infecções crônicas e pelos conhecimento atuais da iconologia nada está comprovado.



De um ponto de vista mais simplório (ou anedótico, para usar um anglicismo) convencionou-se dizer ao paciente que ele está "curado". Certeza não temos. Para o paciente é tranqüilizador, e só isso já justifica o que é apenas uma alta probabilidade se o paciente não é de grupo de risco. Mas não podemos afirmar ao contrário do ponto de vista estritamente científico, sob pena de tangenciarmos o folclore médico.



Nossa esperança é grande e factível de obtermos drogas que efetivamente erradiquem alguns vírus como o HIV, HCV, CMV, VEB, e outros. No caso da hepatite C há muita esperança com os inibidores de helicase, mas ainda promessas para daqui a quatro ou cinco anos.



Por enquanto apenas conseguimos eliminar o vírus do sangue e do fígado por um tempo não definido ainda. Às vezes com até redução das lesões por um tempo não conhecido ainda. Talvez erradicamos de uns poucos indivíduos mas não da grande maioria com absoluta certeza. Pesquisadores independentes conhecedores da moderna imunologia e coerentes com os conceitos contemporâneos da bioética não podem fazer afirmações em contrário.



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