| Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

O Pão
Desde: 13/05/2002      Publicadas: 148      Atualização: 07/07/2004

Capa |  AGENDA  |  HEPATITES VIRAIS  |  LEGISLAÇÃO  |  PREVENÇÃO  |  TRANSPLANTE  |  TRATAMENTO


 TRATAMENTO

  03/05/2004
  0 comentário(s)


A onda de fusões no setor farmacêutico não beneficia o consumidor.

Rio, 03 de maio de 2004 - Consumidor paga por fusões de laboratórios - Deborah Berlinck - Correspondente - PARIS. A onda de fusões no setor farmacêutico — que culminou, na semana passada, com a união das indústrias francesas Aventis e Sanofi, criando o terceiro maior grupo farmacêutico do mundo — não beneficia o consumidor. Ao contrário: os remédios estão ficando mais caros e os acionistas das farmacêuticas, ganhando mais dinheiro. A avaliação é de Phillipe Pignarre, ex-diretor durante sete anos da farmacêutica Synthelabo (que se juntou à Aventis) e de um grupo de pesquisadores da Universidade de Quebec (Canadá).

Ao estudar os resultados financeiros de nove grandes farmacêuticas de 1991 a 2000 (Merck, Bristol-Myers Squibb, Pfizer, Abbott, Warner-Lambert, Eli Lilly, Schering-Plough, SmithKline Beecham e GlaxoWellcome), os pesquisadores descobriram que os laboratórios bateram recordes de ganhos: tiveram em 2000 uma rentabilidade de 45,3%, contra 16,7% dos bancos; 15,9% da indústria química; 15,6% dos fabricantes de automóveis; e 10,9% das empresas de telecomunicações. Segundo Marc Hasbani, um dos autores do estudo, as nove corporações detêm 80% do mercado.

Corporações gigantes influenciam governos

As fusões, segundo os pesquisadores de Quebec, já vêm ocorrendo há 15 anos sem que isso provoque baixa no preços dos remédios. Eles citam um estudo do Instituto Fraser, também canadense, mostrando que o custo médio dos medicamentos no mundo aumentou 1.267% de 1975 a 2000.

Autor de vários livros sobre a indústria, Pignarre afirma que as as fusões estão provocando uma concentração da produção mundial de remédios nas mãos de poucas empresas. Exatamente por serem corporações gigantes, elas ganham peso político e ditam os preços junto aos governos.

— Estão conseguindo aprovar com os governos preços altos, mesmo que os remédios não sejam novos. No caso das novidades, a situação é pior: os preços chegam a ser 35 vezes maiores que a média — diz.

É o caso, segundo ele, dos novos antiinflamatórios produzidos pelas americanas Pfizer e Merck ou dos remédios contra a esquizofrenia, como o Abilify, da também americana Bristol-Myers Squibb:

— Os medicamentos contra o câncer são caros e de uma ineficácia terrível. Nenhum representa ruptura em relação ao tratamento clássico. O último que foi lançado nos EUA, há três semanas, custa US$ 40 mil por ano. Nenhum seguro-saúde pode pagar isso.

Nesse ritmo, continua ele, os sistemas de seguro-saúde de vários países vão explodir. Nos EUA, 43 milhões de pessoas já não têm seguro-saúde. O especialista acha inteligente a política de genéricos do Brasil, que forçou os laboratórios a baratearem os preços de alguns remédios. Segundo ele, programas desse tipo podem ameaçar, de fato, os grandes grupos.

Para Pignarre, o principal da onda de fusões é a incapacidade da indústria farmacêutica de inovar. Isto é, de criar um produto revolucionário que cure, por exemplo, o câncer. Já Eli Cohen, do CepII (um centro de estudos de economia em Paris), argumenta que o nível de concentração ainda é pequeno, se comparado com setores como siderurgia ou produção aeronáutica. Ele atribui as fusões e o alto preço dos medicamentos ao custo exorbitante de pesquisa e desenvolvimento.


MARC HASBANI
‘O setor mais rentável do mundo’


PARIS. Marc Hasbani, um dos autores do estudo sobre o setor farmacêutico, diz que as nove grandes empresas farmacêuticas multinacionais controlam 80% do mercado.

Os laboratórios ainda têm alto rendimento?

HASBANI: Eles fazem tanto dinheiro que estão comprando uns aos outros. São empresas que vendem medicamentos a preços tão altos e obtêm um lucro tão grande, que se compram. É a indústria mais rentável do mundo. Isso não é normal num produto essencial à vida. Não se pode aplicar preços tão altos à saúde.

A indústria justifica as fusões queixando-se dos custos com pesquisa.

HASBANI: Isso é falso. Eles põem três vezes mais dinheiro no marketing.

Alguns argumentam que o nível de concentração não é tão grande, se comparado a outros setores...

HASBANI: Há uma concentração enorme. As nove grandes empresas farmacêuticas que estudamos controlavam 80% do mercado. É um oligopólio, e a concentração continua.

Como impedir isso?

HASBANI: Deveriam impedir as fusões, para que haja uma real competição. Os governos têm o poder para fazer isso. Mas não creio que tenham vontade política.

O Brasil conseguiu fazer a Merck baixar o preço de medicamentos contra a Aids. Isso é eficaz?

HASBANI: Sim. É preciso fazer como o Brasil fez.

O preço dos medicamentos poderia ser menor?

HASBANI: O rendimento (do setor) é de mais de 40%. É uma loucura. Se isso baixar para um nível normal, em torno de 15%, teríamos redução no preço dos remédios de pelo menos 15%. (D.B.)



Os grandes negócios da indústria


1996: As gigantes suíças Sandoz e Ciba-Geigy se uniram para criar a Novartis, numa transação de US$ 27 bilhões.

1999: A britânica Zeneca e a sueca Astra criaram a AstraZeneca, um negócio de US$ 36 bilhões. A francesa Rhône-Poulenc e a alemã Hoescht criaram a Aventis, por US$ 26 bilhões.

2000: Fusão de US$ 74 bilhões entre as britânicas Glaxo Wellcome e SmithKline Beecham. O novo grupo (GlaxoSmithKline) é hoje o número dois mundial. A Pfizer comprou por US$ 114 bilhões a Warner-Lambert, para se apoderar das moléculas promissoras criadas pelo laboratório: o Lipitor (colesterol) e o Neurontin (neurologia).

2002: A americana Amgen‘s assumiu o controle da empresa de biotecnologia Immunex Corp, por US$ 10 bilhões.

2003: A americana Pfizer adquiriu por US$ 60 bilhões a Pharmacia Corp. Com isso, se apoderou dos direitos do Celebrex, um tratamento contra artrite que a ajudou a se consagrar como a líder mundial do setor farmacêutico.

2004: Fusão entre a francesa Sanofi e a franco alemã Aventis, num negócio de US$ 59,4 bilhões que criou o terceiro maior grupo farmacêutico do mundo.



  Mais notícias da seção MEDICAMENTOS no caderno TRATAMENTO
10/06/2004 - MEDICAMENTOS - SAÚDE ANUNCIA PACOTE COM NOVAS REGRAS PARA LICITAÇÕES.
Data: 3/6/2004 - Editoria: Brasil = Página: A6 - Ministério nega que conjunto com 11 medidas tenha sido feito às pressas e que normas em vigor fossem vulneráveis - Por: EDUARDO SCOLESE e ANDRÉA MICHAEL, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA - Duas semanas após a Polícia Federal ter deflagrado a Operação Vampiro, o Ministério da Saúde anunciou ontem um pacote d...
10/06/2004 - MEDICAMENTOS - Remédios baratos elevam custo global de saúde. No mundo da inovação.
Fonte: Gazeta Mercantil, sexta-feira, 04 de junho de 2004 - A visão de que a escolha de medicamentos mais baratos leva a menores custos é freqüente, mas não leva em conta os custos globais para o sistema de saúde secundário, com resultados clínicos inferiores ou maior número de efeitos colaterais. ...
08/06/2004 - MEDICAMENTOS - EUA e farmacêuticas têm pacto contra remédio barato, diz OMS
08/06/2004 - Órgão aponta conluio para impor acordos em que países pobres abram mão de direitos - Marta Costa-Pau Em Barcelona - Germán Velásquez, coordenador do Programa de Ação de Drogas da OMS (Organização Mundial da Saúde), denunciou nesta segunda-feira (07/06) que as indústrias farmacêuticas e a pressão dos Estados Unidos estão obstruindo a ad...
26/05/2004 - MEDICAMENTOS - Rio de Janeiro - Grupo pede medicamentos contra aids e Hepatite C.
Agência Estado - Clarissa Thomé - 24/05 - A falta de medicamentos contra infecções oportunistas nas farmácias da Secretaria Estadual de Saúde levou ativistas do Fórum Estadual Ongs/Aids a fazerem um protesto no centro da cidade na manhã de hoje. ...
18/05/2004 - MEDICAMENTOS - EUA incentivarão genéricos contra Aids.
RAFAEL CARIELLO - DE NOVA YORK - Mudança de política poderá permitir o uso futuro de remédios em programas de assistência internacional à luta contra a doença. ...
18/05/2004 - MEDICAMENTOS - Remédio para diabético e hipertenso terá subsídio a partir de setembro.
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA - Pacientes com hipertensão e diabetes devem, a partir de setembro deste ano, contar com subsídio do governo federal para a compra de medicamentos em farmácias e encontrar os produtos em locais de atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde). ...
18/05/2004 - MEDICAMENTOS - Brasil integra bloco de combate à aids.
Ter, 18 Mai - 09h55 - Agência Estado - Brasil, Índia, China, Tailândia, África do Sul, Rússia, Nigéria e Uganda formaram um grupo para atuar juntos no combate à aids e contrabalançar as posições dos países ricos nos debates sobre as estratégias contra a doença. ...
13/05/2004 - MEDICAMENTOS - Canadá: sinal verde para acesso dos países pobres a remédios genéricos.
13/05/2004 - 20h49 - OTTAWA, 13 Maio (AFP) - O Canadá se tornou nesta quinta-feira o primeiro país industrializado a modificar sua legislação para facilitar o acesso aos remédios genéricos, sobretudo para o tratamento da Aids nos países mais pobres. ...
02/05/2004 - MEDICAMENTOS - Laboratórios buscam superdrogas contra a Aids e hepatite C
São Paulo, domingo, 04 de janeiro de 2004 - AURELIANO BIANCARELLI DA REPORTAGEM LOCAL - Os laboratórios norte-americanos têm 83 novas drogas em pesquisa contra o HIV/Aids. Todas estão em fase de ensaio clínico com humanos ou aguardando aprovação do FDA, o órgão dos EUA que controla medicamentos. Nesse pacote estão 15 vacinas. ...
01/05/2004 - MEDICAMENTOS - Pegilação do interferon
O polietilenoglicol (PEG) é uma pequena molécula que pode ser polimerizada em longas cadeias, sendo anexada a proteínas. As proteínas pegiladas têm meia-vida mais longa que seus compostos parentais não modificados, mas, essencialmente, retêm sua atividade biológica. A meia-vida da proteína pegilada é influenciada por muitos fatores, mas o tamanho d...
16/04/2004 - MEDICAMENTOS - Mais de mil remédios tiveram preços reajustados acima do teto
por: Salezia Sá - 16/04/2004 12h45 - SÃO PAULO - O Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (Idum) constatou que no mês de abril 1.104 medicamentos foram reajustados acima do limite máximo permitido pelo governo, que é de uma alta dos preços da ordem de 6,2%....
09/04/2004 - MEDICAMENTOS - Remédios sobem acima do permitido
Rio, 09 de abril de 2004 Versão impressa -Ledice Araujo - Nova tabela enviada às farmácias tem 48 apresentações de medicamentos com reajustes acima do índice máximo autorizado de 6,2%....
28/03/2004 - MEDICAMENTOS - ESTADO DO RIO DE JANEIRO NÃO FORNECE REMÉDIOS ESPECIAIS
28/03/2004 - Governo não consegue cumprir lei de medicamentos de uso continuado. Enquanto o estado de São Paulo, na sua última licitação, comprou o remédio interferon peguilado a R$ 712,99, aqui no Rio chega-se a pagar uma diferença de R$ 320,93 a mais por frasco, 44% no valor final da compra....



Capa |  AGENDA  |  HEPATITES VIRAIS  |  LEGISLAÇÃO  |  PREVENÇÃO  |  TRANSPLANTE  |  TRATAMENTO