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O Pão
Desde: 13/05/2002      Publicadas: 148      Atualização: 07/07/2004

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 TRATAMENTO

  10/06/2004
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Remédios baratos elevam custo global de saúde. No mundo da inovação.

Fonte: Gazeta Mercantil, sexta-feira, 04 de junho de 2004 - A visão de que a escolha de medicamentos mais baratos leva a menores custos é freqüente, mas não leva em conta os custos globais para o sistema de saúde secundário, com resultados clínicos inferiores ou maior número de efeitos colaterais.

O mercado brasileiro de medicamentos representa hoje, aproximadamente, US$ 4,4 bilhões em faturamento ao ano. Há mais de 15 mil produtos farmacêuticos em comercialização no País, sendo que não mais que uma centena representam medicações de inovação, com patente protegida. A indústria farmacêutica investe em pesquisa e desenvolvimento, em média, 18,5% de suas receitas, contra 8,4% da indústria de eletrônicos, 5,3% de telecomunicações e 3,9% do setor automobilístico.

Para registro de um novo medicamento, três requisitos básicos devem ser preenchidos: eficácia, segurança e qualidade de fabricação. Dados recentes da norte-americana Tufts University, mostram que o custo médio de pesquisa e desenvolvimento de um novo medicamento é de cerca de 900 milhões de dólares. Além disso, são necessários, em média, dez anos até o lançamento no mercado, desde a descoberta científica. Essa situação se deve, principalmente, às exigências crescentes das agências reguladoras de saúde em todo o mundo. Dentro deste panorama, de cada 10 mil moléculas analisadas, apenas um medicamento passa a ser efetivamente comercializado. O resto é investimento.

É certo que o aumento na oferta de medicamentos e serviços em saúde tem proporcionado melhores resultados na saúde de maneira geral, aumentando as taxas de cura, a qualidade de vida, reduzindo a dor e recuperando a capacidade funcional dos indivíduos. Graças à indústria farmacêutica de inovação, que desenvolve produtos que geram melhoria na eficácia dos tratamentos, inúmeros exemplos de sucesso têm ocorrido em áreas como a oncologia, doenças cardiovasculares, mentais, osteoarticulares (osteoporose) e metabólicas (diabetes). No entanto, esses benefícios freqüentemente são avaliados como geradores de aumento dos custos na saúde, por apresentarem novas drogas.

Medicamentos são essenciais na absoluta maioria das intervenções de saúde, porém, do ponto de vista financeiro, geralmente constituem a menor parte dos custos que pode ser atribuído a uma enfermidade (em geral, de 8% a 10% do total investido na saúde). O restante dos custos, diz respeito a hospitalizações e outros fatores. A visão de que a escolha de medicamentos mais baratos leva a menores custos é freqüente, mas não leva em conta os custos globais para o sistema de saúde secundário, com resultados clínicos inferiores ou maior número de efeitos colaterais. Como auxiliador nas decisões de gastos na saúde, iniciou-se o estudo de princípios de administração e finanças com a medicina para análise dos custos e os benefícios das diversas intervenções na saúde, disciplina hoje chamada farmacoeconomia.

A farmacoeconomia surgiu, de forma mais importante, em 1991, na Austrália, com o objetivo de analisar a inclusão de medicamentos na lista de reembolso do governo. Mais recentemente, Canadá, Reino Unido e outros países europeus incorporaram essa ferramenta na avaliação e seleção de medicamentos para reembolso, o que acontece também nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, as indústrias farmacêuticas iniciaram a utilização de análises econômicas durante as primeiras fases de pesquisa clínica, para auferir precocemente o benefício clínico e econômico real de um novo medicamento.

Os planos de saúde aplicam estudos farmacoeconômicos, em especial para avaliar doenças crônicas, com o objetivo de reduzir custos globais. A farmacoeconomia avalia os custos e os benefícios envolvidos na utilização de determinado medicamento, no curso de uma doença, colocando os dois fatores numa balança. O valor intrínseco de cada produto farmacêutico não é guiado somente pelo seu preço unitário ou por produtos ditos "mais baratos". Por exemplo, uma nova medicação no combate ao câncer pode ter um custo de aquisição maior. Porém, esse novo medicamento - ao prover maior sobrevida e/ou menor incidência de efeitos colaterais - poderá ser vantajoso do ponto de vista farmacoeconômico, como resultado da diminuição de dias de hospitalização e melhor qualidade de vida do paciente.

Outro exemplo importante ocorre no campo da saúde mental, no qual novos antipsicóticos no manejo da esquizofrenia, apesar de terem um custo de aquisição maior do que os medicamentos mais antigos, são favoráveis do ponto de vista farmacoeconômico, pela maior eficácia e menor incidência de efeitos colaterais. Esses medicamentos proporcionam melhor qualidade de vida, ressocialização dos pacientes e menor custo para o sistema de saúde, por diminuírem a necessidade de hospitalização. Na osteoporose, prevenir fraturas também se mostra mais vantajoso para o sistema de saúde do que o pagamento pelo tratamento das múltiplas fraturas ósseas e a perda de qualidade de vida advinda desta doença. Outro exemplo é o diabetes: economicamente, é mais eficiente prevenir as complicações crônicas da doença - como a cegueira, amputações, perda da função renal e doenças cardiovasculares - do que tratá-las. A oferta de tratamento medicamentoso contra o tabagismo pode ser mais positiva economicamente ao sistema de saúde do que pagar os custos das doenças ocasionadas pelo tabaco, como diversas neoplasias, disfunções cardiovasculares e pulmonares.

É importante analisar, também, a perspectiva de uma avaliação econômica. O governo e os planos de saúde podem priorizar os gastos imediatos com a nova medicação, analisando separadamente o orçamento ambulatorial e hospitalar. Mas, a sociedade se preocupa mais com qualidade de vida e a reintegração do indivíduo. No sistema brasileiro, o período de internação não representa nenhum custo financeiro ao paciente e, sim, ao governo ou aos planos de saúde. Entretanto, o tratamento ambulatorial é o de maior impacto financeiro para o paciente.

Agregados à análise farmacoeconômica, aspectos éticos, políticos e sociais também orientam as decisões no sistema de saúde. A resolução torna-se mais difícil na aquisição de medicamentos que salvam vidas ou resgatam a qualidade de vida, quando a questão ética é mais importante. Entretanto, a utilização de um recurso em poucos indivíduos pode significar prejuízo para a saúde de muitos, quando não existe a possibilidade de aumentar o volume de recursos necessários para atender às duas demandas simultaneamente. Neste caso, a farmacoeconomia auxilia na identificação da parcela de indivíduos, em que o medicamento pode ser usado mais eficientemente.

A farmacoeconomia não soluciona o problema do acesso universal e eqüitativo a um tratamento, pois não consegue trazer qualidade de vida máxima e eficácia a todos os pacientes ao mesmo tempo. Mas, por meio dela, podemos identificar, em uma série de opções de tratamento, aquela que consegue atingir a melhor eficiência em gastos, preferencialmente atendendo às diversas expectativas dos pacientes, da sociedade e das fontes pagadoras. Entretanto, esse objeti-vo só poderá ser alcançado se houver um esforço conjunto de nossa sociedade, do governo, dos planos de saúde e da indústria da área da saúde.



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